A Ilha – Capítulo 1

Para aqueles que nunca leram “A Ilha”, abaixo o primeiro capítulo. Curto como os demais. Bom para quem tem apenas uma brecha na agenda e quer ler algo sem ter que deixar capítulo pela metade. Ao menos eu tenho problema com esse fracionamento. Se houver interesse publicarei mais alguns, se não, fica esse como arauto da nostalgia. Porque foi assim que tudo começou…

Naufrágio

Acordo com água do mar batendo no meu corpo. Aos poucos, consigo abrir os olhos, tenho areia na boca, o brilho do sol me ofusca a visão. Tento entender onde estou, lentamente minha visão retorna, estou deitado na areia, minhas roupas estão rasgadas, vejo destroços de uma embarcação próxima a mim, sofri um naufrágio?

 Devagar minhas ideias também começam a voltar, ontem à noite no deck, a festa, as pessoas, por fim, um passeio de barco que não chegou ao fim. Lembro-me de uma explosão, pouco antes de iniciarmos o retorno para a costa. Seguida de gritos, que se tornaram cada vez mais distantes e baixos, até que envolto pelo silêncio e total escuridão, fico vagando no mar sem destino certo.

 Aquele colete que consegui alcançar logo após toda a confusão foi o diferencial. Sem ele, eu teria me afogado. Porque pouco depois do cessar das vozes, eu desmaiei, estava exausto.

 Um nome surge como um trovão na minha mente, meu coração se agita: Elise, onde está Elise? Tento me levantar, para procurar outros possíveis sobreviventes, mas meus braços ainda estão fracos. Com dificuldade consigo me virar. Livro-me da areia no rosto, em compensação volto a ficar cego, com o sol me atingindo em cheio a face. Com um pouco mais de tempo e esforço, consigo sentar-me. Uma boia salva-vidas atinge a minha perna, na qual vejo a palavra Andrômeda escrita, esse era o nome da embarcação.

 Embora sentado começo a buscar por algum outro tripulante, a baía em que me encontro não tem uma faixa de areia grande, é cercada por rochas e termina em uma densa floresta. Não vejo mais ninguém, só alguns pedaços do Andrômeda.

 Enfim, tenho forças para me levantar, cambaleando vasculho os destroços que me acompanharam até ali. Nada de muito proveitoso ao redor, caso eu precise sobreviver algum tempo neste local. Em seguida, pego a boia e tiro-lhe um adorno feito com cordas e penso: Cordas sempre são uteis. Inicio minha busca ao longo da costa.

 Escolho o lado com as rochas menores, sigo, então, para a direita. O tamanho das pedras do outro lado me assustara um pouco, fraco como estou a chance de me esborrachar ao tentar escalar seria grande.

 Imagino o quão patético seria, sobreviver a um naufrágio em alto-mar e morrer por escorregar em uma pedra em terra firme. Alguns minutos caminhando sobre as pedras, vejo uma nova praia, bem maior do que aquela em que eu havia acordado. Há muitos destroços do barco aqui. À medida que me aproximo consigo ver algo além de partes do barco, começo a ver os corpos de outros passageiros.

***

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Até breve!

#somostodosnaufragos

2 opiniões sobre “A Ilha – Capítulo 1”

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